Pão Caseiro Fofinho de Liquidificador: Receita Prática da Vovó
O Cheirinho de Pão Quente Pela Casa e as Lembranças da Infância
Ah, meus queridos netinhos e netinhas! Não existe, neste mundo todo, um aroma mais acolhedor, nostálgico e afetuoso do que o cheiro de um pão caseiro assando no forno, não é mesmo? Quando eu era mais nova, na grande fazenda da minha mãe, acordar com aquele perfume maravilhoso de fermento e massa assando invadindo os quartos era a certeza absoluta de um dia feliz e abençoado. A mesa do café da manhã já estava posta com uma toalha bordada, o café coado na hora fumegando no bule, e no centro, a grande estrela: o pão feito com as mãos amorosas da matriarca. Hoje, eu venho compartilhar com vocês uma maravilha dos tempos modernos, mas que não perde em nada para aquele gostinho de tradição e roça: o maravilhoso e inesquecível pão caseiro fofinho de liquidificador.
Muitas pessoas, especialmente os mais jovens, acham que fazer pão é uma tarefa árdua, quase hercúlea. Pensam que exige muita força nos braços para sovar a massa por longas horas a fio, e que requer uma paciência infinita que a vida moderna não permite. E, de fato, os pães tradicionais de longa fermentação têm o seu charme e a sua técnica apurada. Porém, com a correria do dia a dia, a vovó aqui descobriu que podemos usar a tecnologia e os eletrodomésticos a nosso favor, sem perder o afeto e a qualidade inquestionável da comida caseira. O liquidificador, esse aparelho tão comum nas nossas cozinhas, é o nosso grande aliado nessa receita. Ele será o responsável por misturar os ingredientes líquidos, o açúcar, a gordura e o fermento de maneira rápida e uniforme, o que ajuda imensamente a criar uma massa super macia e aerada, sem aquele esforço todo de amassar e sovar pesadamente na mão.
Imagine só a cena: você acorda num domingo de manhã, ou até mesmo num dia de semana especial em que deseja mimar a sua família, e em poucos minutos consegue preparar a massa. Depois de bater os líquidos, é só incorporar a farinha, dar uma leve misturada e deixar o tempo agir. O forno faz a mágica final. O resultado? Um pão tão fofinho, tão leve, que chega a desfazer na boca, perfeito para passar aquela manteiga que derrete na mesma hora, ou uma generosa camada de geleia caseira de morango feita com frutas frescas. É uma receita que abraça a alma, que conforta o coração e que tem o poder de reunir a família toda em volta da mesa com sorrisos nos rostos. Vamos juntos, de mãos dadas, descobrir todos os segredos desse pãozinho especial, entender a função de cada um dos ingredientes, os enormes benefícios de colocar a mão na massa (mesmo que seja só um pouquinho) e como garantir que o seu pão fique digno da melhor padaria fina da cidade, mas com aquele ingrediente secreto que não se compra em lugar nenhum: o amor da casa de vó.
Preparar um pão em casa não é apenas cozinhar; é um ato de paciência, de amor, de devoção e de profundo cuidado com aqueles que amamos. A magia de ver a massa crescer silenciosamente debaixo de um pano de prato, de sentir a textura mudando e ganhando vida entre os dedos e, finalmente, de observar a cor dourada se formar lindamente dentro do forno quente, é uma verdadeira terapia. É uma pausa na vida agitada. Além disso, quando fazemos nosso próprio alimento, sabemos exatamente o que estamos consumindo e oferecendo aos nossos. Evitamos uma série de conservantes e aditivos químicos artificiais que são tão comuns nos produtos industrializados das prateleiras de supermercado. A nossa saúde agradece, a nossa digestão melhora e o paladar também se delicia com o sabor do que é real e autêntico!
Os Benefícios de Fazer o Próprio Pão e a Ciência Simples da Fermentação
Fazer pão em casa, meus amores, traz inúmeros e maravilhosos benefícios para a nossa saúde física, mental e também financeira. Em primeiro lugar, como a vovó já adiantou, o pão caseiro é totalmente livre daquelas palavras difíceis e estranhas que lemos nos rótulos dos pães de supermercado. Não há conservadores com nomes impronunciáveis, estabilizantes artificiais, melhoradores de farinha sintéticos ou emulsificantes industriais que a longo prazo ninguém sabe direito o que fazem no nosso corpo. Aqui na nossa cozinha, é apenas farinha de trigo, água ou leite, fermento, um pouquinho de açúcar para a doçura e alimento do fermento, sal para equilibrar o sabor, ovos e óleo (ou uma boa manteiga). São os ingredientes puros, simples e honestos que nossos antepassados já utilizavam há séculos.
Além da pureza inquestionável dos ingredientes, o processo em si de fazer pão – mesmo este de liquidificador onde sovar é muito rápido – é um excelente exercício de atenção plena (o tal do mindfulness que os jovens falam hoje em dia!). Desligar-se dos problemas lá de fora, das notícias ruins da televisão e focar apenas na alquimia que acontece dentro da tigela ajuda de maneira incrível a reduzir o estresse, a ansiedade e as preocupações. É um momento sagrado de conexão com o momento presente, onde o tato, o olfato e a visão entram em harmonia.
Agora, um segredo da vovó que vale ouro: a escolha da farinha faz, sim, toda a diferença do mundo. Para conseguir um pão espetacularmente fofinho, a farinha de trigo tradicional (conhecida como tipo 1) é a mais indicada na maioria dos casos, pois ela possui a quantidade ideal e equilibrada de glúten para dar estrutura, elasticidade e maciez à massa. E o que é esse tal de glúten, vovó? O glúten é uma proteína natural do trigo que, quando ativada e bem hidratada pelos líquidos da receita, forma uma espécie de “teia” ou “rede” elástica. Essa rede tem uma função importantíssima: ela aprisiona os gases que são liberados pelo fermento enquanto ele “come” o açúcar da massa. É esse gás preso na teia de glúten que faz o pão crescer, ficar alto, bojudo e cheio daqueles furinhos deliciosos por dentro. Uma dica preciosa: se você peneirar a farinha de trigo antes de usá-la, vai incorporar mais ar e desfazer possíveis grumos, deixando a massa ainda mais leve e delicada. Para quem gosta de se aventurar no mundo da alimentação mais natural, é plenamente possível substituir cerca de 20% a 30% da farinha branca por farinha de trigo integral, farinha de aveia ou até mesmo farinha de centeio. O pão ficará um pouquinho mais escuro e denso, mas muito mais rico em fibras, vitaminas e minerais essenciais.
Outro ponto de extrema importância é o ambiente em que a massa vai descansar. A cozinha precisa estar acolhedora. Massas de pão são como crianças recém-nascidas: gostam de calor humano, de proteção e de um clima ameno e constante. Se o dia estiver muito frio, chuvoso ou com correntes de ar, a vovó tem um truque infalível: ligue o forno do seu fogão um pouquinho antes, apenas por alguns minutos para amornar o interior, desligue completamente e coloque a tigela com a massa lá dentro para crescer de portas fechadas. Assim, ela se sentirá “abraçada” pelo calorzinho suave e vai crescer lindamente em pouco tempo.
O leite também tem seu papel mágico e fundamental nesta receita. Usar o leite morno (atenção, prestem muita atenção: morno, e não quente! Se estiver quente demais, ele mata o fermento, que é um organismo vivo muito sensível) ajuda a ativar o fermento biológico seco de forma muito mais rápida, eficiente e homogênea. Além disso, a gordura e os açúcares naturais do leite trazem uma maciez incomparável ao miolo e garantem uma cor dourada lindíssima para a casca do pão durante o cozimento. É a combination harmoniosa de todos esses pequenos detalhes, feitos com imenso carinho e atenção, que transforma simples ingredientes do dia a dia em um alimento tão sagrado e delicioso, capaz de alimentar o corpo e o espírito.
Acompanhamentos Perfeitos e o Ritual da Mesa Farta
Falar de pão caseiro sem falar do que vai acompanhar essa maravilha é quase um pecado na cozinha da vovó! Um pão fofinho saído do forno merece acompanhamentos à sua altura. A manteiga, claro, é a rainha. Quando você passa a manteiga na fatia ainda fumegante e ela derrete, entrando naqueles buraquinhos do miolo… oh, é uma visão do paraíso! Mas não paramos por aí.
Que tal uma boa geleia caseira? Aquela geleia de jabuticaba, de amora, de morango ou até mesmo de pimenta para os mais ousados. O contraste do docinho da geleia com a massa neutra do pão é esplêndido. E o requeijão de copo? Ou um queijo branco fresco, cortado em fatias grossas, acompanhado de um cafezinho coado num coador de pano? São esses pequenos rituais que transformam uma simples refeição numa memória afetiva inesquecível para as crianças e para os adultos.
Eu me lembro perfeitamente das tardes chuvosas em que meus filhos chegavam da escola. A primeira coisa que faziam era abrir a porta da cozinha para checar se tinha pão assando. Aquele cheiro trazia a promessa de que, não importava o quão difícil tivesse sido o dia, ali dentro daquela casa havia amor, segurança e conforto. É por isso que eu insisto tanto para que vocês façam essa receita. Não é só sobre economizar dinheiro na padaria. É sobre construir histórias. Sobre deixar um legado de sabores e aromas para as próximas gerações.
Ingredientes Necessários para o Nosso Pão de Liquidificador
Pegue seu caderninho de receitas, uma caneta com boa tinta e anote com bastante atenção. Como sempre digo, os ingredientes devem estar preferencialmente em temperatura ambiente (ovos, farinha, óleo), a menos que eu indique o contrário. Isso ajuda muito a massa a se desenvolver melhor e de forma mais uniforme.
- Farinha de trigo (tipo 1): Aproximadamente 800g a 1kg (peneirada para ficar bem soltinha). A quantidade exata pode variar dependendo da umidade natural da farinha que você comprou e do tamanho dos ovos utilizados. Tenha sempre um pouco a mais reservado para polvilhar.
- Leite Integral: 500ml (meio litro) de leite morno. Lembre-se da regra de ouro: a temperatura ideal é aquela de mamadeira de bebê, morninha, agradável no pulso. Pode usar leite desnatado? Pode, mas o integral deixa o pão mais saboroso e macio por causa da gordura.
- Óleo ou Manteiga: 1 xícara (chá) de óleo vegetal (soja, girassol, canola ou milho). Se quiser um sabor ainda mais rico e com ares de fazenda, pode substituir por 4 a 5 colheres (sopa) bem cheias de manteiga ou margarina derretida.
- Açúcar: 4 colheres (sopa) de açúcar cristal ou refinado. O açúcar, além de dar aquele fundinho doce maravilhoso que amamos no pão caseiro, é o principal alimento do fermento, fazendo ele trabalhar rápido e feliz, e também ajuda a casca a dourar lindamente no forno.
- Sal: 1 colher (sopa) rasa de sal refinado. O sal não serve apenas para salgar, ele é crucial na panificação. Ele realça todos os sabores, fortalece a rede de glúten e controla o crescimento frenético do fermento, para que o pão não cresça descontroladamente e depois murche.
- Ovos: 2 ovos inteiros e de tamanho grande. Eles dão cor, estrutura, sabor e umidade extra à nossa massa fofa.
- Fermento Biológico Seco: 2 sachês (de 10g cada) de fermento biológico seco instantâneo, totalizando 20g. Se você preferir o método antigo e quiser usar o fermento fresco (aquele de geladeira, em tabletes), utilize 3 tabletes (que dá cerca de 45g a 50g).
- Para finalizar e pincelar: 1 gema de ovo misturada com um pequeno fio de leite (ou umas gotinhas de café coado). Isso vai garantir aquele brilho dourado e profissional, de vitrine de padaria, na casca do seu pão rústico.
Modo de Preparo: Passo a Passo Simples, Detalhado e Feito com Amor
Chegou a hora tão esperada, a hora boa! Coloque o seu avental preferido, prenda os cabelos, lave muito bem as mãos (isso é regra básica na cozinha da vovó) e vamos colocar amor nessa receita fabulosa.
- Ativando a mistura poderosa no liquidificador: No copo do seu liquidificador, vamos colocar todos os líquidos e os temperos principais da massa. Despeje com cuidado o leite morno, adicione o óleo (ou a manteiga derretida), os dois ovos inteiros, o açúcar e o sal. Por último, adicione também o fermento biológico. Tampe bem (não queremos chuva de massa na cozinha!) e bata tudo em velocidade média-alta por cerca de 2 a 3 minutos, até obter uma mistura bastante espumosa, esbranquiçada e completamente homogênea. Esse processo é o grande segredo da praticidade: ele dilui perfeitamente o fermento e o açúcar, distribuindo a gordura de maneira igual e criando a base molhada perfeita para um pão extra macio.
- Preparando a bacia: Despeje com cuidado essa mistura líquida e cheirosa do liquidificador em uma bacia funda ou numa tigela bem grande. A tigela precisa ter bastante espaço livre, pois a nossa massa vai crescer bastante, mais do que o dobro!
- Incorporando a farinha aos poucos: Agora, com a ajuda de uma colher de pau bem resistente, vá adicionando a farinha de trigo peneirada, porém aos poucos! Coloque um pouco, mexa bem com movimentos circulares do centro para as bordas. Coloque mais um pouco e mexa novamente. No começo, vai parecer uma massa de bolo grosso e pegajoso. Não se assuste, é exatamente assim.
- O ponto exato da massa (o pulo do gato): Continue adicionando farinha devagarinho até que a massa comece a soltar das laterais da tigela e fique pesada demais para continuar mexendo com a colher de pau. É nesse momento crucial que você vai retirar o excesso de massa da colher, lavar bem as mãos, enxugá-las, e começar a mexer com elas. Não precisa sovar com força como se estivesse brigando com a massa. Apenas misture bem, apertando e dobrando a massa sobre ela mesma, até que ela desgrude levemente das mãos e do fundo da bacia, mas ainda esteja bem macia, elástica e um pouquinho (só um pouquinho!) pegajosa. O grande segredo da fofura absoluta é não colocar farinha demais! Se a massa ficar dura e pesada agora, o pão será um tijolo depois de assado.
- O primeiro descanso (o soninho da beleza da massa): Faça uma bola bonita com a massa. Polvilhe um tiquinho de farinha no fundo da tigela para não grudar e coloque a bola lá dentro. Cubra bem com um pano de prato limpo, seco e que não solte fiapos. Leve a tigela para um lugar quentinho, escuro e sem correntes de vento (dentro do forno desligado ou do micro-ondas são ótimos lugares). Deixe descansar tranquilamente por cerca de 40 a 60 minutos, ou até que você perceba que a massa dobrou de tamanho. Quando abrir o pano, verá que parece mágica, a massa estará estufada e linda!
- Modelando os pães com carinho: Passado esse tempo de crescimento, polvilhe um pouco de farinha nas mãos e dê um “soco” de leve bem no meio da massa para retirar o excesso de gás (o ar) acumulado. Despeje a massa sobre uma superfície limpa (uma bancada de mármore ou a pia de inox) levemente untada com óleo ou um tiquinho de farinha. Com o auxílio de uma faca grande, divida a massa em duas ou três partes iguais, dependendo do tamanho das assadeiras que você tem. Abra cada porção com as mãos ou com a ajuda de um rolo de macarrão, formando uma espécie de retângulo. Em seguida, enrole a massa delicadamente, como se estivesse enrolando um rocambole, apertando levemente as bordas e as pontas para selar bem e o pão não abrir no forno.
- O segundo descanso (o crescimento final): Coloque os pães enrolados em formas de bolo inglês (aquelas retangulares) ou em assadeiras normais, previamente untadas com margarina e enfarinhadas. Se colocar numa assadeira grande, deixe um espaço generoso entre eles, pois vão crescer muito! Cubra novamente com o pano e deixe descansar por mais 30 a 40 minutos em local quentinho.
- Pincelando e assando (a hora do perfume): Faltando uns 15 minutos para acabar o tempo do segundo descanso, ligue o seu forno a 180°C para ele ir pré-aquecendo. É fundamental que o pão entre no forno já quente. Com extrema delicadeza para não “murchar” a massa, pincele a mistura de gema com um fio de leite sobre os pães crescidos. Isso vai garantir uma cor dourada, brilhante e apetitosa. Leve ao forno pré-aquecido e asse por cerca de 35 a 45 minutos. O tempo pode variar de fogão para fogão. Fique de olho. Quando estiverem bem douradinhos por cima e aquele cheiro maravilhoso de padaria antiga invadir a casa toda, até a rua, estarão prontos!
- Finalização e o grande teste da paciência: Retire do forno com cuidado. Aguarde uns 10 a 15 minutinhos (eu sei que é difícil resistir!) antes de tentar desenformar. Para manter a casquinha incrivelmente macia, a vovó tem outro truque: pincele um pouquinho de manteiga derretida sobre a casca enquanto o pão ainda está quente. Desenforme e deixe esfriar sobre uma grade de resfriamento ou sobre um pano de prato grosso. Se esfriar na assadeira, ele vai suar embaixo e ficar úmido e murcho. Pronto! É só servir e receber os infinitos elogios.
História e Tradição: O Pão Através das Gerações e nas Nossas Mesas
Amores da minha vida, vocês já pararam para pensar o quanto o pão é um alimento antigo, rico em história e cheio de significados poderosos para a humanidade? Pois a vovó adora contar histórias enquanto esperamos a massa crescer! O pão acompanha a evolução do ser humano há milhares e milhares de anos. Desde as primeiras civilizações que descobriram que esmagar grãos rústicos, misturar com um pouco de água e assar sobre pedras quentes ao sol resultava em algo que matava a fome de forma duradoura, até as grandes padarias artesanais modernas que temos nas grandes cidades hoje em dia, o pão sempre esteve lá, firme e forte, no centro das nossas vidas e da nossa evolução.
Dizem os grandes historiadores que o pão fermentado, mais parecido com este pão fofinho e aerado que amamos e estamos preparando hoje, surgiu meio que por acidente, como quase tudo que é genial na culinária. Contam que os antigos egípcios, há muitos milênios atrás, esqueceram uma mistura de farinha e água ao ar livre num dia quente. Essa mistura, com o tempo, acabou sendo visitada por leveduras selvagens e micro-organismos que vivem soltos pelo ar, e começou a borbulhar e a crescer misteriosamente. Quando assaram aquela massa curiosa, perceberam encantados que o resultado era um pão extremamente macio, leve, cheio de furinhos, muito mais fácil de mastigar e infinitamente mais saboroso do que as antigas massas planas e duras que costumavam comer todos os dias.
Desde então, o pão assumiu um papel gigantesco, tornando-se símbolo universal da partilha, da comunhão entre as pessoas, da amizade sincera e do sagrado em diversas culturas, religiões e tradições ao redor de todo o nosso vasto globo terrestre. E não é por acaso, concordam comigo? Quando nós repartimos, quando dividimos um pedaço de pão quentinho com alguém, não estamos apenas oferecendo alimento para nutrir o estômago; nós estamos, de fato, dividindo a nossa casa, o nosso tempo, a nossa vida, entregando o nosso suor, o nosso amor, a nossa energia e as nossas melhores intenções. O ato de compartilhar o pão é um abraço em formato de comida.
E quando nós trazemos toda essa tradição milenar para a nossa humilde cozinha, para o nosso lar, usando os recursos modernos que temos hoje à nossa disposição, como o abençoado liquidificador que facilita tanto a nossa vida corrida, nós estamos, na verdade, unindo de maneira perfeita o passado e o presente. Estamos dizendo que as velhas e boas tradições familiares continuam vivas e pulsantes, mas que também temos a sabedoria de torná-las mais práticas, acessíveis e menos exaustivas para o nosso dia a dia moderno. É por essa razão profunda e verdadeira que eu considero o ato de fazer pão em casa quase como uma pequena cerimônia, um ritual poderoso. O cheiro maravilhoso de pão que invade a casa não perfuma apenas o ar; ele cria de imediato uma memória duradoura e afetiva na cabeça e no coração das crianças, que vão sempre, independentemente da idade que tiverem ou de onde estiverem no mundo, associar esse cheirinho inconfundível à sensação deliciosa de proteção, ao amor incondicional, à família reunida e ao calor inestimável do lar, doce lar. Fazer pão é plantar uma memória feliz que vai germinar e crescer para sempre no coração de quem a gente ama intensamente. Valorizem esses pequenos momentos, meus netinhos, pois são eles que dão verdadeiro sentido e tempero à nossa passagem por essa vida!
Tabela Nutricional (Porção de 50g – Equivalente a 1 fatia média)
A vovó se preocupa demais com a saúde de vocês, então vamos entender direitinho o que estamos consumindo. Lembrem-se de que os valores a seguir são estimativas e podem variar um pouco conforme as marcas específicas dos ingredientes que você utilizar em casa.
| Nutriente | Quantidade por porção | % VD (*) |
|---|---|---|
| Valor Energético | 145 kcal = 608 kJ | 7% |
| Carboidratos | 22 g | 7% |
| Proteínas | 3,5 g | 5% |
| Gorduras Totais | 4,5 g | 8% |
| Gorduras Saturadas | 1,2 g | 5% |
| Gorduras Trans | 0 g | ** |
| Fibra Alimentar | 0,8 g | 3% |
| Sódio | 120 mg | 5% |
* % Valores Diários de referência com base em uma dieta de 2.000 kcal ou 8.400 kJ. Seus valores diários podem ser maiores ou menores dependendo de suas necessidades energéticas. ** Valor Diário não estabelecido.
Perguntas Frequentes (FAQ) – A Vovó Responde Tudo!
Ainda tem alguma pulga atrás da orelha? Não se preocupe, eu reuni aqui as perguntas que minhas amigas e vizinhas mais me fazem sobre essa receita mágica.
- 1. Vovó, eu posso usar fermento biológico fresco no lugar desse fermento em pó seco?
- Sim, minha filha, com toda a certeza do mundo! A regrinha básica da vovó é a seguinte: para cada sachê de 10g de fermento seco que a receita pedir, nós usamos 30g de fermento fresco (aqueles tabletes que ficam na geladeira do mercado, seriam dois tabletes inteiros). O preparo é o mesmo, basta bater tudo no liquidificador junto com o leite morno.
- 2. Socorro! Meu pão não cresceu quase nada, ficou massudo. O que pode ter acontecido de errado?
- Ah, isso é chato, mas infelizmente acontece nas melhores famílias. Geralmente a culpa cai sobre três motivos clássicos: primeiro, o leite estava muito quente e cozinhou o seu fermento; segundo, o seu fermento estava velho, vencido ou mal armazenado (uma vez aberto o potinho do fermento seco, guarde sempre muito bem fechado na porta da geladeira); e o terceiro motivo é o clima extremamente frio na sua cidade. Se o dia estiver gelado, use a minha dica de deixar a massa crescendo aconchegada dentro do forno levemente amornado e depois desligado.
- 3. Eu tenho intolerância à lactose na família. Posso fazer essa mesma receita de pão fofinho sem o leite?
- Mas é claro que sim, meu bem! Para os meus netinhos que têm qualquer restrição à lactose, a solução é super simples: basta substituir todo o leite de vaca pela mesma exata medida de água morna ou, se preferir um sabor mais especial, um leite vegetal de sua preferência (o leite de aveia, de soja ou o leite de amêndoas funcionam divinamente bem). Lembre-se também de usar óleo vegetal no lugar da manteiga. O pão ficará espetacular e seguro para todos.
- 4. Qual é o melhor jeito de guardar o pão caseiro depois de pronto para ele não ficar duro e ressecado no dia seguinte?
- O pão caseiro verdadeiro não leva aquela tonelada de conservantes artificiais do supermercado, por isso, ele naturalmente resseca de forma mais rápida. A regra de ouro é: depois que o pão estiver totalmente e completamente frio (se guardar ele ainda morno ou quente, o vapor vai virar água e seu pão vai mofar rapidamente), guarde-o dentro de um saco plástico limpo e feche muito bem, retirando o máximo de ar possível, ou coloque numa daquelas latas grandes de biscoito bem vedadas. Deixando assim em temperatura ambiente na sua pia, ele vai durar de 3 a 4 dias bem macio. Para períodos mais longos, só o congelamento resolve (veja nas dicas acima).
- 5. Eu ganhei uma máquina de fazer pão (panificadora elétrica). Posso adaptar essa receita de liquidificador nela?
- Com toda certeza, e fica ainda mais fácil! Você pode seguir o primeiro passo batendo todos os líquidos no seu liquidificador para misturar bem. Em seguida, despeje essa mistura líquida lá dentro da cuba da sua máquina de fazer pão, adicione toda a farinha de trigo peneirada por cima de tudo e programe a máquina. Você pode usar o ciclo “Básico” para ela fazer todo o trabalho (amassar, crescer e assar) ou pode usar apenas o ciclo “Amassar/Massa”, que apenas mistura e deixa crescer. Aí depois você retira a massa da máquina, modela nas assadeiras tradicionais e assa no forno convencional, que é como a vovó prefere, porque o formato fica mais bonito e rústico.
- 6. Eu li que para fazer um bom pão tem que sovar até rasgar a massa, uns 20 minutos. É necessário sovar muito essa receita também?
- Absolutamente não, e essa é a mágica, o grande trunfo maravilhoso da nossa receita de liquidificador! O seu eletrodoméstico já faz toda aquela mistura inicial super pesada e emulsifica muito bem os líquidos, a gordura e o fermento. Quando você adiciona a farinha na bacia depois, basta ir misturando com a mão até incorporar tudo direitinho e a massa desgrudar levemente da bacia. Chegou nesse ponto, pare de mexer! Não precisa ficar sovando e suando a camisa na pia por 15, 20 minutos como nas antigas receitas de pão italiano ou pão sovado tradicional. O próprio tempo de descanso, quietinha lá debaixo do pano, fará o glúten se hidratar e se desenvolver sozinho. É um pão para não se cansar!