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Pastel de Bacalhau: Receita Tradicional Portuguesa

📅 28 de fevereiro de 2026 ⏱️ 14 min de leitura ✍️ Receita da Vó
Pastel de Bacalhau: Receita Tradicional Portuguesa










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Pastel de Bacalhau: Receita Tradicional Portuguesa

Pastel de Bacalhau: A Receita Tradicional Portuguesa que Aconchega a Alma

Data de Publicação: 27 de fevereiro de 2026

Olá, meus queridos e minhas queridas! Que alegria ter vocês aqui no meu cantinho, o “Receita da Vó”. Hoje, vamos viajar juntos para a terrinha de onde vieram meus avós, Portugal, para desvendar todos os segredos de um tesouro da culinária lusitana: o Pastel de Bacalhau: Receita Tradicional Portuguesa. Ah, essa iguaria… só de falar, a boca enche d’água e o coração se enche de saudade. Sinto o cheirinho da cozinha da minha mãe, o som do óleo a crepitar e a felicidade estampada no rosto de toda a família reunida.

Lembro-me como se fosse hoje. Eu, menina de tranças, com os olhos vidrados na minha avó, a Vó Laurinda. As mãos dela, já enrugadas pelo tempo, moviam-se com uma sabedoria que só os anos ensinam. Ela dizia, com aquele sotaque carregado de ternura: “Minha neta, o pastel de bacalhau não é só comida, é um pedaço da nossa história”. E ela tinha toda a razão. A origem deste petisco, que no norte de Portugal é carinhosamente chamado de “bolinho de bacalhau”, remonta a tempos antigos, lá para o século XIX. Acredita-se que nasceu na região do Minho, uma terra verdejante e cheia de tradições. A receita só foi possível graças à chegada da batata a Portugal, um ingrediente humilde que, ao encontrar o nobre bacalhau, criou uma combinação divina e eterna.

A primeira receita oficial que se tem notícia data de 1904, publicada num livro chamado “Tratado de Cozinha e Copa”, de um oficial do exército chamado Carlos Bandeira de Melo. Mas, como tudo que é bom de verdade, a receita já corria de cozinha em cozinha, de mãe para filha, muito antes de ser impressa num papel. Cada família tinha o seu segredinho: um toque de noz-moscada, a salsa mais fresca do quintal, ou a forma especial de desfiar o bacalhau até parecer um fio de ouro. Era uma época em que a comida tinha mais do que sabor; tinha alma, tinha conversa, tinha afeto.

Na nossa família, o ritual do pastel de bacalhau era sagrado. Acontecia sempre aos domingos ou em dias de festa. Começava no dia anterior, com a dessalga cuidadosa do bacalhau, um processo que exige paciência e amor. Meu avô dizia que era como preparar a terra para o plantio: um trabalho lento que garante a melhor colheita. Depois, vinha o cozimento das batatas, o desfiar do peixe, o picar da cebola e da salsa. Era uma sinfonia de aromas que tomava conta da casa inteira e anunciava que um momento feliz estava por vir. E quando os primeiros pastéis dourados e crocantes saíam da panela, era uma festa! Crocantes por fora, macios e cheios de sabor por dentro… uma verdadeira poesia em forma de comida. Hoje, vou compartilhar com vocês não apenas uma lista de ingredientes, mas a receita que atravessou gerações na minha família, com todos os segredos e dicas para que o seu pastel de bacalhau fique tão especial quanto o da Vó Laurinda.

Ingredientes

  • 500g de bacalhau do Porto de boa qualidade (já demolhado, cozido e desfiado)
  • 500g de batatas (prefira as do tipo asterix ou outra mais farinhenta, são ótimas para fritura)
  • 1 cebola média bem picadinha
  • 2 dentes de alho amassados
  • 4 ovos inteiros (de preferência, caipiras)
  • 1/2 xícara de chá de salsa e cebolinha frescas bem picadinhas
  • Pimenta do reino preta moída na hora a gosto
  • Noz-moscada ralada na hora a gosto
  • Sal (se necessário, prove a massa antes)
  • Óleo abundante para fritar (cerca de 1 litro, pode ser de girassol ou canola)

Modo de Preparo

  1. O Preparo das Batatas: Comece cozinhando as batatas com casca em água e uma pitada de sal até que fiquem bem macias. Cozinhar com a casca evita que elas absorvam muita água, um dos segredos para um pastel sequinho. Assim que estiverem cozidas, escorra-as e, ainda quentes, descasque-as e passe por um espremedor de batatas. Reserve o purê.
  2. Refogando os Aromas: Em uma panela, aqueça um fio generoso de azeite e refogue a cebola picadinha e o alho amassado até ficarem transparentes e perfumados. Este passo simples adiciona uma camada extra de sabor que faz toda a diferença!
  3. A União dos Sabores: Numa tigela grande e funda, coloque o bacalhau já desfiado e limpo (sem peles e espinhas, por favor!), o purê de batata reservado e o refogado de cebola e alho. Misture tudo muito bem com uma colher de pau ou com as mãos.
  4. O Toque Final da Massa: Adicione a salsa e a cebolinha picadas. Tempere com pimenta do reino e noz-moscada a gosto. Agora, o pulo do gato: adicione os ovos, um de cada vez, mexendo vigorosamente após cada adição. A massa deve ficar homogênea, cremosa e bem ligada. Prove e, se necessário, ajuste o sal. Lembre-se que o bacalhau já é salgado.
  5. A Mágica da Modelagem: Este é o momento que eu mais gostava quando criança! Com a ajuda de duas colheres de sopa, modele os pastéis. Pegue uma porção de massa com uma colher e vá passando de uma colher para a outra, alisando e formando um bolinho ovalado, no formato de uma quenelle. É a prática que leva à perfeição, meus queridos!
  6. A Fritura Perfeita: Em uma panela funda, aqueça bem o óleo. A temperatura ideal é em torno de 180°C. Se não tiver um termômetro, jogue um palito de fósforo no óleo; quando acender, está no ponto. Frite os pastéis aos poucos, sem encher demais a panela, para não esfriar o óleo. Deixe dourar de um lado e depois vire para dourar do outro.
  7. Servindo com Amor: Retire os pastéis com uma escumadeira e coloque-os para escorrer sobre papel toalha. Sirva imediatamente, bem quentinhos e crocantes. Acompanhados de um arroz de brócolis ou uma salada verde, é uma refeição completa!

Segredos da Vovó para o Pastel de Bacalhau Perfeito

Prestem atenção, meus netos e netas de coração, pois agora vou contar aqueles segredinhos que não estão em qualquer livro de receitas. São truques que aprendi ao longo de mais de 40 anos na cozinha, observando minha mãe e minha avó, e que fazem o simples virar espetacular.

A Escolha do Bacalhau e da Batata

O sucesso do seu pastel começa no mercado. Não economize na qualidade do bacalhau! Um bom lombo de Bacalhau do Porto (Gadus morhua) faz uma diferença brutal na textura e no sabor. E quanto à batata, o segredo é usar uma que seja mais “sequinha”, com mais amido. As batatas do tipo Asterix, de casca rosada, são perfeitas, pois resultam num purê mais firme e evitam que os pastéis se desmanchem ou fiquem encharcados ao fritar. Se usar uma batata muito aguada, seu pastel pode virar uma tragédia!

O Ponto da Massa é Crucial

O equilíbrio entre bacalhau e batata é fundamental. A receita tradicional pede proporções iguais, ou até um pouco mais de bacalhau. A massa não pode ficar nem muito mole, nem muito seca. A liga quem dá são os ovos. Por isso, a dica de adicioná-los um a um é tão importante. Você vai sentindo a textura da massa. Se ela parecer muito úmida, talvez não precise do último ovo inteiro. É a sensibilidade do cozinheiro que fala mais alto aqui. E um truque que aprendi com a Vó Laurinda: depois de pronta, deixe a massa descansar por uns 30 minutos na geladeira. Isso ajuda a firmar e facilita a modelagem.

A Arte de Fritar sem Medo

Muitos têm medo da fritura, mas com as dicas certas, não tem erro. O óleo precisa estar bem quente, mas sem fumaçar. Se estiver frio, o pastel encharca. Se estiver quente demais, ele doura por fora e fica cru por dentro. A temperatura constante é a chave. Por isso, frite poucos por vez. Ao colocar os pastéis na panela, eles devem mergulhar e boiar, sem tocar o fundo. E, por favor, nada de ficar mexendo neles o tempo todo. Deixe dourar de um lado, com paciência, e só então vire para dourar do outro. O resultado será uma casquinha dourada, crocante e um interior cremoso e quentinho.

Como Adaptar sua Receita

A cozinha é um lugar de criatividade e afeto, e uma boa receita é aquela que podemos adaptar para agradar a todos da nossa família. O pastel de bacalhau é um clássico, mas ele também pode ganhar novas versões!

Variação com Queijo da Serra

Uma variação que tem ganhado corações em Portugal é rechear o pastel com um pedacinho de queijo Serra da Estrela. O queijo derrete com o calor da fritura, criando um interior ainda mais cremoso e com um sabor surpreendente. Para isso, basta colocar um pequeno cubo de queijo no centro da massa ao modelar o pastel.

Versão Sem Glúten

A boa notícia é que a receita tradicional do pastel de bacalhau, que leva apenas bacalhau, batata, ovos e temperos, já é naturalmente sem glúten! A liga é dada pela batata e pelos ovos, sem necessidade de farinha de trigo. Apenas certifique-se de que todos os seus temperos e ingredientes são livres de contaminação cruzada, caso tenha algum celíaco na família.

Versão Vegana: O “Pastel de Não-Peixe”

Sim, é possível ter todo o sabor e a memória afetiva do pastelzinho da vovó numa versão sem nenhum ingrediente de origem animal! O segredo está na substituição inteligente.

  • Para o “bacalhau”: Podemos usar grão-de-bico amassado, palmito pupunha desfiado ou até mesmo uma mistura de cogumelos bem refogados. O truque para trazer o sabor do mar é adicionar um pedacinho de alga nori (a mesma do sushi) bem picadinha à massa.
  • Para a liga: No lugar dos ovos, pode-se usar farinha de linhaça hidratada (1 colher de sopa de farinha para 3 colheres de sopa de água por ovo) ou um pouco de farinha de grão-de-bico para dar a consistência necessária.

O restante do preparo é muito similar, mantendo a base de batata e os temperos que amamos. Fica uma delícia e ninguém fica de fora da festa!

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Dúvidas Frequentes

Posso congelar os pastéis de bacalhau?

Com certeza! Aliás, é uma ótima maneira de ter essa delícia sempre à mão. O ideal é congelá-los crus. Depois de modelar todos os pastéis, distribua-os em uma assadeira, um ao lado do outro sem que se toquem, e leve ao freezer por cerca de 4 horas, ou até endurecerem. Depois de congelados, você pode transferi-los para um saco plástico próprio para congelamento, retirando o máximo de ar possível. Eles duram até 3 meses no freezer. Para fritar, não precisa descongelar! Basta retirá-los do freezer e colocá-los diretamente no óleo quente, fritando em fogo um pouco mais baixo para garantir que o interior cozinhe por completo.

Quanto tempo os pastéis duram depois de fritos?

Depois de fritos, o ideal é consumir os pastéis de bacalhau no mesmo dia, para aproveitar ao máximo sua crocância. Se sobrarem, guarde-os em um recipiente fechado na geladeira por até 2 dias. Eles perderão a casquinha crocante, mas ainda estarão saborosos.

Qual a melhor forma de reaquecer os pastéis já fritos?

Nunca, jamais, reaqueça um pastel frito no micro-ondas, a não ser que você goste de uma textura borrachuda! O segredo para devolver a crocância é usar calor seco. As duas melhores opções são:

  • No forno convencional: Pré-aqueça o forno a 180°C e disponha os pastéis em uma assadeira. Deixe por cerca de 5 a 10 minutos, virando na metade do tempo, até que fiquem quentes e crocantes novamente.
  • Na Air Fryer: Se você tem uma fritadeira elétrica, ela é perfeita para isso! Aqueça a 180°C por alguns minutos e coloque os pastéis no cesto. Em cerca de 5 a 8 minutos eles estarão como novos: quentinhos e super crocantes!

Por que meu pastel de bacalhau se desmanchou ao fritar?

Ah, essa é a tristeza de qualquer cozinheiro! Isso geralmente acontece por dois motivos principais: a batata usada era muito aguada ou a massa estava muito mole, com excesso de umidade (seja da batata ou do bacalhau mal escorrido). Outro fator pode ser o óleo não estar na temperatura correta (frio demais). Siga as dicas da vovó sobre a escolha da batata e o ponto da massa que dará tudo certo!